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Informação da SPHPA ao paciente

Bem vindo à área de Informação ao Utente da Sociedade Portuguesa de Hérnia e de Parede Abdominal (SPHPA).
Somos um grupo formado por cirurgiões, provenientes de várias regiões do país, que têm em comum uma verdadeira paixão pelo tratamento da Hérnia da Parede Abdominal.
Juntámo-nos com o objetivo principal de dinamizar e melhorar os cuidados prestados aos doentes, disponibilizar as mais recentes publicações científicas e promover a educação e formação dos cirurgiões que se dedicam a esta área.

1) O que é uma Hérnia ?

Uma hérnia é um defeito (buraco) na parede abdominal, através do qual sai conteúdo intra-abdominal, podendo ser gordura, intestino ou bexiga. A hérnia surge em pontos de fraqueza natural da parede abdominal. Com maior frequência surge no umbigo, na virilha ou na linha média acima do umbigo. Pode também surgir noutras localizações, como a parede abdominal lateral (hérnia de Spiegel e hérnia lombar) sendo estas mais raras.

       

2) Que tipos de hérnia que existem e porque aparecem?

As hérnias abdominais são classificadas de acordo com a sua localização. As mais frequentes localizam-se na virilha (região inguinal), umbigo, epigástricas (linha média acima do umbigo) ou nas cicatrizes cirúrgicas.

As hérnias aparecem em pontos de fraqueza dos músculos da parede abdominal, por persistência dos canais de desenvolvimento fetal – hérnias congénitas, ou em cicatrizes cirúrgicas antigas. O envelhecimento e o aumento da pressão abdominal motivado pela obesidade, tabagismo ou gravidez, também contribuem de forma marcada para o aparecimento de uma Hérnia.

3) Quais são as queixas provocadas pela Hérnia ?

A maioria das pessoas com hérnia não tem queixas, no entanto, podem notar um aumento de volume no local da hérnia (“bolinha”) que aumenta de tamanho com o esforço (ex: tosse, exercício físico). É mais óbvio sentir ou ver a hérnia quando se está de pé, e pode diminuir ou desaparecer quando se deita. Enquanto não tiver queixas, não precisa de limitar as suas atividades físicas, o que pode ocorrer durante meses ou anos. O desconforto e dor podem aparecer com o aumento do tamanho da hérnia, ou com a intensidade do esforço, devendo nesta altura consultar o seu Médico de Família.

4) Ter uma Hérnia pode ser perigoso ?

Enquanto não tiver queixas, não precisa de ficar preocupado. Para hérnias de maior tamanho e dolorosas é sensato procurar aconselhamento médico. Se a sua hérnia subitamente ficar dura, dolorosa e não redutível (se não desaparecer quando se deita) se a pele sobre a hérnia ficar vermelha, quente e dolorosa ao toque , ou ainda se tiver náuseas e vómitos, paragem de emissão de gases e fezes ou distensão abdominal, nestes casos existe o risco da hérnia estar encarcerada ou estrangulada. Uma hérnia encarcerada, não se consegue reduzir e tem o seu conteúdo “preso” através do buraco. Numa hérnia estrangulada, o seu conteúdo não recebe sangue, havendo sofrimento que leva à morte dos tecidos e órgãos encarcerados dentro de
poucas horas. Estas são situações de emergência médica, e precisam de cirurgia urgente.

5) Como se faz o diagnóstico de uma Hérnia ?

A maioria das hérnias podem ser diagnosticadas na consulta pelo seu médico/cirurgião. Por vezes o diagnóstico é incerto e pode-se confirmar com a realização de uma Ecografia. Hérnias muito volumosas, podem necessitar da realização de uma TC para a sua caracterização.

6) A operação é o único tratamento para a Hérnia ?

Sim ! No entanto, isto não significa que tenha de ser operado já… Caso não tenha sintomas pode discutir com o seu médico uma vigilância regular , também conhecido como “Watchfull Waiting”, uma vez que toda a cirurgia pode ter complicações. Quando surgirem as primeiras queixas, deve recorrer ao seu médico para programar a cirurgia.

Existem diferentes opções cirúrgicas dependendo da localização e do tamanho da hérnia. A cirurgia pode ser realizada por via aberta (corte na pele), ou por via laparoscópica- minimamente invasiva, assistida por vídeo. A melhor opção para a sua hérnia será discutida na consulta com o cirurgião, tendo em conta as características da sua hérnia.

7) O que devo fazer antes de ser operado ?

Existem vários factores que você pode melhorar antes da operação e que contribuem para o sucesso da mesma.

  •  Exercício físico – deve fazê-lo regularmente e manter-se em forma.
  •  Dieta – deve ser variada, comendo de forma sensata evitando o consumo excessivo de álcool. Se tem excesso de peso deve tentar realmente perder peso !
  •  Tabagismo – é muito importante que pare de fumar pelo menos 6 semanas antes da cirurgia
  •  Diabetes e Hipertensão arterial – deve melhorar o seu tratamento com o médico de família de forma a estar controlada para minimizar os riscos em torno da operação.

Lembre-se que deve optimizar o tratamento destas doenças com o seu Médico Assistente de forma a que estejam controladas antes da cirurgia e para minimizar os riscos relacionados com a cirurgia.

09) Doentes com considerações especiais

Alguns problemas médicos podem interferir com a sua cirurgia:

- Se tem diabetes ou hipertensão deve melhorar o seu tratamento com o médico de família de forma a estar controlado.

- Doença cardíaca ou pulmonar deve ser reavaliada antes da cirurgia.

- Deve informar o seu cirurgião se está a tomar medicamentos, tais como, anti-coagulantes ou anti-agregantes (diluem o sangue), corticoides ou imussupressores. Alguns destes medicamentos devem ser interrompidos ou substituídos antes da cirurgia.

- Caso tenha alguma doença do fígado ou do rim pode ter que consultar o seu médico especialista para optimizar o seu problema.

- Em caso de gravidez a cirurgia da hérnia pode ser adiada após o nascimento do bebé. A excepção a esta situação é em caso de estrangulamento da hérnia, o que obriga a cirurgia urgente, no entanto esta situação é rara

10) O que devo esperar durante a cirurgia

Pequenas hérnias (epigástricas, umbilicais ou inguinais) podem ser tratadas em cirurgia ambulatória, o doente vai para casa no mesmo dia em que é operado.

Quando a hérnia tem maiores dimensões, o doente pode precisar ficar internado um ou mais dias.

Pode ser necessária a toma de antibiótico antes da cirurgia, por isso se tem alguma alergia medicamentosa deve informar o cirurgião.

A cirurgia pode ser feita com anestesia geral ou loco-regional (epidural).

A sua hérnia pode ser operada por via aberta ou por via laparoscópica (video-assistida), esta última tem maior benefício em doentes com excesso de peso e maior risco de complicações da ferida operatória (diabéticos, imunodeprimidos…).

A reparação da hérnia pode ser feita apenas com pontos ou recorrendo ao uso de uma rede.

 

11) A rede é sempre necessária para o tratamento da hérnia?

Não! Mas… a rede é usada para reforçar os seus tecidos naturais e diminuir o reaparecimento da hérnia, podendo ainda diminuir a dor no pós-operatório.

12) A rede é segura?

Sim! O uso da rede é muito frequente e é seguro.

A escolha de usar ou não rede é individualizada e esta escolha deve ser feita pelo seu cirurgião na consulta após avaliação dos riscos e benefícios para o doente em questão.

Em alguns casos o uso de rede pode estar associado a complicações como a formação de colecções líquidas na ferida operatória ou infecção da rede.

13) Quais os riscos da cirurgia?

Os problemas relacionados com o tratamento cirúrgico de uma hérnia, são raros, mas acontecem.

Problemas a curto prazo:

- hemorragia da ferida

- infecção da ferida operatória

- seroma (colecção de líquido claro)

- hematoma ferida operatória ou do escroto

- lesão de órgãos – testículo, bexiga ou intestino

- trombose venosa profunda dos membros inferiores e trombo-embolismo pulmonar – após qualquer cirurgia podem formar-se coágulos de sangue nas veias das pernas, que se podem soltar e ir para os pulmões provocando dificuldade respiratória ligeira ou grave. Após a cirurgia da hérnia esta complicação é muito rara, no entanto, se for um doente de risco deverá usar meias elásticas e eventualmente ser administrada uma injecção para evitar a formação desses coágulos.

Problemas a longo prazo:

- recorrência da hérnia – a hérnia volta a aparecer

- desconforto ou dor prolongada – dor que persiste por mais de 3 meses após a cirurgia. É raro e não se sabe a causa exacta. Pensa-se que poderá estar relacionada com a lesão de um nervo durante a cirurgia. Há maior probabilidade nos doentes que têm dor antes da cirurgia ou com hérnias pequenas.

- infecção da rede – é muito rara. A infecção habitualmente é provocada por bactérias da pele. Quando há infecção da rede provavelmente esta terá que ser removida com uma nova operação, levando ao reaparecimento da hérnia.

14) Cuidados a ter após a cirurgia

Habitualmente o doente tem alta no próprio dia da cirurgia ou no dia seguinte, dependendo do tamanho da hérnia .

Em casa deve ter os seguintes cuidados:

 - manter o penso da ferida limpo e seco

- cumprir a medicação dada pelo cirurgião

- evitar conduzir durante 1 semana após a cirurgia

- o retorno às actividades da vida diária deve iniciar-se 1 a 2 semanas após a cirurgia

- deve evitar esforços físicos mais intensos, como o levantamento de pesos e exercício abdominal durante 4 a 6 semanas

NOTA: estas orientações são generalistas. A avaliação individualização deve ser feita tendo em conta as características do doente, a localização e o tamanho da hérnia e o tipo de cirurgia realizada de forma a melhor definir os cuidados no pós-operatório.